O que faz um profissional de Web Analytics? Onde trabalha?
Autor: Giresse Contini
Essa é a pergunta que todo mundo faz após eu responder que trabalho com Web Analytics. Acho que todos que trabalham com WA têm a mesma dificuldade em responder essa pergunta, principalmente quando ela vem de pessoas mais velhas como avós e tios. Mas confesso que tenho certeza que nem minha mãe conseguiria responder isso quando uma amiga perguntasse o que eu faço a ela, isso que trabalho há mais de 2 anos na área e já dei alguns inúmeros exemplos práticos do que eu faço.
A questão é que como todas as áreas novas que surgem diariamente como novos nichos de mercado, há uma dificuldade em definir escopo de trabalho e abrangência das atividades.
No caso de Web Analytics, todas as indefinições acima aplicam-se com um certo grau acentuado. A cada dia que passa vejo mais possibilidades de campos de atuação para os profissionais dessa área tão nova e promissora ao mesmo tempo. Porém ao mesmo tempo em que os profissionais dessa área identificam novos campos de atuação, o mercado exige cada vez mais qualificações que fazem o artigo “Procura-se um Super Homem” do Ruy Carneiro, sobre o tipo de perfil e qualificação exigido para trabalhar com Web Analytics, se tornar uma verdade mais que absoluta. Como a intenção desse post é falar sobre os diferentes tipos de mercado para quem trabalha com Web Analytics, vou deixar o assunto de perfil e qualificações para outro momento.
Acredito que a maioria das pessoas que já atuam na área de WA está ligada a sites de e-Commerce ou, se não, pelo menos acredito ser a primeira coisa que vem na cabeça das pessoas. – Ah, você trabalha com Web Analytics. Legal, você é o cara do e-Commerce então. A verdade é que existem inúmeros campos que ainda nem conhecemos. Na palestra do Jim Stern no eMetrics 2009 em São Paulo, ele comentou sobre um caso ocorrido no jornal The New York Times, que me chamou muita atenção. O caso é o seguinte:
Em março de 2008, o governador de Nova York, Eliot Spitzer renunciou ao cargo após ser envolvido num escândalo sexual que o apontava como cliente de uma rede de prostituição de luxo. O caso ganhou extrema repercussão nos EUA, pois o então governador Spitzer era casado e pai de 3 filhas, mas mais que isso, pois o fato ocorreu em território americano onde a moral e a família são pregados acima de tudo (sem entrar no mérito da moral pregada e moral adotada). O fato é que no dia que o escândalo estourou, ele estourou primeiro na internet para o jornal The New York Times. Só que o site do jornal registrou um grande crescimento em sua audiência que, por sua vez, tenderia a se replicar para o jornal impresso. Acontece que a tiragem (número de jornais impressos) é sempre baseada no passado, de acordo com dados estatísticos do dia da semana, mês, etc, e não sobre dados do presente. O responsável pela área de Tráfego (analista de Web Analytics) do site do NY Times identificou o crescimento e, após fazer uma grande análise estatística, previu que o jornal impresso venderia 30% a mais no dia seguinte. Só que havia um problema. Ele precisava convencer o pessoal do offline a imprimir 30% mais jornais e, isso quer dizer que ele precisava convencer os responsáveis por esse aumento de tiragem não apenas a resolver a logística alterada em cima da hora, mas também a arcar com um enorme risco, pois jornal não vendido no dia significa prejuízo certo e caro (não é muito natural encontrar um grande número de pessoas procurando as notícias de dois ou mais dias atrás). Passada as primeiras negativas do pessoal do offline, o responsável pelo Tráfego do site do NY Times conseguiu convencer o pessoal do jornal impresso a aumentar em 30% a tiragem do outro dia. No outro dia, a previsão feita através da audiência do site do jornal se confirmou nas vendas do jornal impresso.
Esse caso relatado na palestra do Jim Stern no eMetrics 2009 é, pelo menos pra mim, um exemplo claro de área que pode ter a atuação de um profissional de Web Analytics. E como essa, existem inúmeras que ainda não pensamos. É claro, muitos vão dizer que essa área do exemplo está com os dias contados, pois o jornal impresso tende a acabar ou porque a logística para distribuição do impresso não pode ser alterada sempre com algumas horas de antecedência. Para quem está pensando nisso, a minha resposta é a seguinte: Eu também acho que o jornal impresso se não deixar de existir vai reduzir drasticamente seu número de exemplares impressos – mas no Brasil isso deve demorar entre 10/15 anos para se tornar realidade (depende de inúmeros fatores para se tornar realidade, assunto que rende um post inteiro) – mas é possível rentabilizar esporadicamente (como no exemplo do governador de Nova York ou fatos de extrema repercussão) muito mais os jornais impressos com a ajuda de profissionais de Web Analytics, pelo menos até a comentada “extinção” do jornal impresso.
Esse exemplo de atividade ou área de atuação para quem trabalha com web analytics é algo novo pra mim, nunca havia pensado nisso antes e aposto que muitas das pessoas que irão ler esse post também não haviam pensado nisso. Assim como o exemplo do NY Times, tenho certeza que há muitas áreas/atividades que podem e devem ter a atuação de profissionais de WA, mas que ainda estão esperando para serem descobertas.
E você que leu esse post, já trabalha na área? Que tipo de atividade desempenha?
Tags: Análise de Audiência, Métricas, Offline, Online
Oi Giresse tudo bem? Foi muito legal tocar nesse assunto, assim como o case do Jim muito acontece nos EUA e Europa juntando as duas visões: On e Off. Nesse caso específico, todos falam da “extinção” do jornal, mas particularmente creio que não acontecerá, apenas será adaptado para outros formatos além da Internet, devido há n variáveis econômicas e sociais.
Hoje um profissional de WA é sum super-homem ou mulher maravilha (opções para todos os gostos), pois precisamos ter conhecimento: programação, estatística, arquitetura, redação, socio-econômico, negócio, geo-política, novas tendências, jornalismo, etc. Podem até achar estranho alguns campos, mas um exemplo básico é vc saber o comportamento dos IPs na América Latina e no mundo – a diferença, e a cultura e valores desses países para compras e acessos.Só esse exemplo já temos: economina, geo-política, tecnologia, problemas sociais, etc.. rs.
É um campo que cresce a cada dia.
Bjs
Grande Maurição.
Parabéns pelo artigo. Muito pertinente dizer que ainda não estão claros os papéis do futuro-presente de quem trabalha ou está envolvido com projetos de web.
Forte abraço
Boa noite amigo sou bloguerio e meu blog fala um pouco de tudo, e estou procurando parceiros para troca de link, meu blog está chegando a 162 mil acessos em pouco mais de oito meses, e está em 729º no Blogblogs, com links em 80 blogs pelo Brasil. meu blog: http://blogs.abril.com.br/agora