Google Wave: um exemplo de inovação
Autor: Maurício Bastos
No dia de hoje o Google anunciou oficialmente que irá descontinuar o serviço Google Wave, que gerou polêmica na web ao suscitar a questão de que ele poderia ser o responsável por “matar” o email. Confesso que assisti ao lançamento dele no Google I/O e fiquei bastante entusiasmado.
Não demorou muito para eu criar waves de projetos na empresa onde eu trabalhava e participar de várias outras. O que se via era uma aplicação com uma interface complexa, cheia de bugs e incapaz de lidar com escalonamento (waves com muitos usuários chegavam a travar).
Hoje o Google Wave caiu e já vejo dezenas de pessoas no Twitter fazendo piadas e dizendo que o projeto foi um grande vexame. Será mesmo? Que lições podemos tirar disso?
1) Fazendo a pergunta certa
Existe uma frase célebre do Einstein onde ele disse que se tivesse uma hora para resolver um problema do qual sua vida dependesse, ele passaria 55 minutos procurando a pergunta certa. Encontrando essa pergunta, 5 minutos seria mais do que suficiente para encontrar a solução. A pergunta central que norteou o desenvolvimento do Google Wave foi: será que existe alguma forma de concentrar em uma única plataforma os dezenas de meios de comunicação que existem hoje na web? A pergunta não estava errada. Basta ver o que o Facebook vem fazendo em sua timeline e o grau de sucesso deles.
2) A primeira impressão é a que fica
Se a pergunta feita estava correta, por que o projeto não vingou? Acho que um dos principais pontos está na execução. Quando se trabalha com inovação, é normal lançar produtos em Beta (quem melhor que o próprio Google para fazer isso?). Inclusive, essa é uma das principais formas para se distanciar dos potenciais concorrentes que ainda nem nasceram. Acontece que o Beta tem que ser bom o suficiente para convencer os usuários de que algo fabuloso está por vir. Um Beta cheio de bugs e falhas deixa uma péssima impressão e, num universo de altíssimo índice de dispersão, é suficiente para fazer com que ninguém mais volte.
3) Errar faz parte
O Google Wave não deu certo, e daí? Quando se trabalha com inovação não se pode ter medo de errar. O Google sabe bem disso e por isso chegou tão longe e consegue se manter na liderança. É necessário criar centenas de produtos para que um ou outro vingue. Faz parte do processo e não tem como ser diferente quando a sua meta é fazer algo para construir o futuro. O importante é aprender com os erros para se tornar cada vez melhor.
4) Desapegando-se
Essa é a grande lição que o Google nos deu hoje. Uma das coisas mais difíceis quando se trabalha em qualquer projeto é saber o momento certo de se desapegar e partir para outra. Insistir em um erro ou em um produto que simplesmente não aconteceu é desperdício de tempo e dinheiro. É preciso ter em mente que nem tudo vai dar certo e é necessário saber quando parar. O Google mostrou ter culhões hoje, pois poderia deixar o produto de lado e não avisar ninguém. Ao comunicar oficialmente para o mundo que eles estão descontinuando o Google Wave, estão colocando sua cara a tapa (afinal, é um insucesso do maior player da Internet) e reconhecendo com humildade que não foi dessa vez.
Por fim, retomo a pergunta que fiz no início: é mesmo vergonhoso errar em um universo onde tão poucos acertam?
Tags: Experimentação, Google, Google Wave

Inovação é uma idéia criativa que traz dinheiro novo.
O Google Wave não trouxe dinheiro novo. Portanto, não passou de uma idéia criativa.
A idéia é legal mesmo… basta saber se será rentável ou apenas ‘mais um’
Abraço!
Mauricio