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A história de Rony Rodrigues, sócio-fundador do Grupo Box 1824

Autor: Maurício Bastos

Não há dúvidas que inovar não é um trabalho fácil, vide a vasta bibliografia sobre como inovar nas mais diferentes áreas do conhecimento. Qual seria então a base da inovação? Para mim não há dúvidas, é a inspiração. Não é possível criar algo novo, extraordinário, se não houver um sonho e auto-confiança. Por isso, é fundamental que as pessoas que trabalham com inovação se mantenham inspiradas, sedentas por conhecimento.

Em função disso, trago um post para inspirar esta sexta-feira, para mostar que tudo é possível quando se tem um sonho e se trabalha em direção a ele. Trata-se da história de Rony Rodrigues, sócio-fundador do Grupo Box 1824.

O texto abaixo é a reprodução de um trecho do meu Trabalho de Conclusão. É um pouco longo, mas quem ler até o final não vai se arrepender.

A HISTÓRIA DE RONY RODRIGUES

rony-rodriguesRony nasceu em 30 de abril de 1979 e, desde cedo, apresentou traços de empreendedor e um inconformismo com o fato de diversas tarefas serem feitas sempre do mesmo modo. Ele comenta que, aos 15 anos, já pensava em formas de ganhar dinheiro, e fez uma tentativa vendendo sanduíches de porta em porta.

Aos 17 anos, Rony e um colega de colégio abriram um bar no Planeta Atlântida, o qual levou o nome de Sunset. Como possuía um espírito inquieto, ele resolveu inovar: tratava-se do primeiro bar temático do evento, onde as atendentes estavam vestidas de havaianas e uma decoração fortalecia a proposta. O Sunset foi o bar que obteve o maior faturamento no Planeta Atântida daquele ano.

Apesar de ter obtido êxito muito cedo com seu empreendimento, a vida escolar de Rony foi muito conturbada: ele repetiu de ano três vezes e estudou em seis escolas diferentes – Concórdia, Bom Conselho, Americano, Província de São Pedro, São João e Colégio Objetivo, localizado em Alvorada (RS). Rodrigues aponta que esses fatos são um desdobramento de seu inconformismo.

Ao concluir sua vida escolar, Rony ingressou na faculdade de Turismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e começou a trabalhar na TransBrasil e na Shopping Tour para poder pagar seu curso superior.

A carga horária de Rony era muito pesada, visto que ele trabalhava em uma empresa das quatro horas da manhã à uma da tarde e na outra das quatro da tarde às dez da noite. Essa rotina durou nove meses, até que Rony resolveu utilizar o dinheiro que estava juntando para ir morar nos Estados Unidos e interrompeu a faculdade.

Sobre sua vida nos Estados Unidos, Rodrigues comenta: “quando cheguei lá, o primeiro trabalho que fiz foi de cleaner, faxineiro, depois de engraxate, logo após com recycling, separando o lixo e,  por fim, trabalhei num posto de gasolina” (RODRIGUES, 2008).

Caminho de Santiago de CompostelaDepois de juntar algum dinheiro nos Estados Unidos, Rony se questionou se “voltava para o Brasil e comprava um carro ou fazia o caminho de Santiago” (RODRIGUES, 2008), que era algo que ele já desejava fazer há algum tempo. Ele optou por ir para Santiago e, durante essa viagem, conheceu algumas pessoas que comentaram que ele tinha um perfil interessante para trabalhar com propaganda, visto que tinha um pensamento não-convencional, era criativo e sarcástico.

“Eu cheguei no Brasil sem dinheiro nenhum, pois tinha feito o Caminho de Santiago e gasto todo meu dinheiro por lá” (RODRIGUES, 2008). Rodrigues foi recebido no aeroporto por um amigo, que havia ido lhe dar uma carona. No carro, Rony ligou o rádio e ouviu um spot que anunciava um programa de estágio na Upper, umas das melhores agências do estado do Rio Grande do Sul naquela época.

Rony se interessou pela proposta de estágio e, em meio a cerca de 160 candidatos, ele foi um dos quatro escolhidos. “Eu não era redator e também não era diretor de arte”, conta Rony, então um dos donos da agência, Henrique Rosa, resolveu inseri-lo na empresa como insighter, uma pessoa que vem para dar idéias.

O Leão de CannesEm um ano Rony havia ganhado um leão em Cannes, foi finalista do Clio e do Festival de Nova Iorque, as três premiações mais importantes da propaganda em nível mundial. Era o primeiro leão de Cannes ganho por alguém do Rio Grande do Sul. A peça em questão foi desenvolvida para um desodorante da marca Senador e consistia em um adesivo que era colado em corrimões de ônibus com a seguinte frase “Quem usa Senador, levanta o braço”.

O surpreendente da peça é o seu grau de coerência e criatividade, pois o público do desodorante era exatamente aquele público que andava de ônibus e as pessoas que ficam em pé normalmente permanecem com o braço levantado, para segurar o corrimão e manter o equilíbrio. Além disso, a peça possuía um custo muito baixo e o gesto de levantar o braço, realizado pelos passageiros, é exatamente o mesmo gesto utilizado para utilizar um desodorante.

A peça criada por Rony Rodrigues: Quem usa Senador, levanta o braço.Rony alega que a base para a criação dessa peça foi um estudo profundo, no qual ele buscou a forma mais fácil de ganhar um leão em Cannes. Rapidamente Rony se deu conta que teria pouca chance se tentasse concorrer com uma peça de áudio ou vídeo, mídias de massa que já eram amplamente utilizadas, e encontrou uma grande oportunidade no No Media, que até então era pouco explorado.

“Quando eu ganhei o leão em Cannes, a maioria [das pessoas] pensou que eu iria permanecer na Criação” (RODRIGUES, 2008), mas não foi o que ocorreu, Rony refletiu que já havia ganhado o que queria na Criação e que naquele momento iria para o Planejamento, que era onde ele julgava que as coisas iriam acontecer. Rony salienta que “agora nós vivemos muito a era do Planejamento dentro das agências, mas naquela época não era assim.” Estava recém começando o movimento de Planejamento e ainda não havia surgido o Grupo de Planejamento de São Paulo.

Ainda na Upper, mas já na área de Planejamento, Rony passou a atender o Zoom (segmento jovem) da então Claro Digital, que vendia na época cerca de 13 aparelhos celulares por dia. Com o trabalho executado por Rodrigues, passou a ser vendida uma média de 100 celulares por dia. Nesse período Rony se aproximou de Márcio Ramos, profissional que exercia uma posição estratégica dentro de Claro e que o informou que a empresa estava passando por um processo de aquisições, a partir do qual passaria a ter uma única agência, a DCS.

Em função dos trabalhos de Rony na Upper terem obtido grande êxito para a Claro, Márcio Ramos o informou que gostaria de tê-lo na DCS, para seguir trabalhando com Planejamento, mas com responsabilidades ainda maiores. Rony aceitou o desafio e ingressou na DCS, onde passou a trabalhar na equipe de Lúcia Bastos, Diretora de Atendimento da agência e responsável por atender o cliente Claro.

Após alguns meses de trabalho na DCS, Rony teve a idéia de criar o DCS College, estrutura de Planejamento voltada para o público jovem. Nesse período Rony trabalhou em uma sala que simulava o ambiente do quarto de um jovem, com objetos como prancha de surfe e tacos de hóquei. Algum tempo depois, Rodrigues teve a idéia de criar uma nova unidade, a DCS Lab, voltada para a prospecção de novos negócios, onde Rorigues respondia diretamente para Antônio D´Alessandro, presidente e um dos fundadores da agência.

Logo da ClaroDentro do DCS Lab Rony criou um case para a Claro chamado Claro Hits, que participou do TTB, principal premiação de Planejamento do Grupo J. W. Thompson, e ficou em terceiro lugar. Esse case foi visto por um profissional de uma agência italiana, que possuía vínculo com o Grupo Thompson, e fez com que ele se interessasse pelo trabalho de Rony, convidando-o a trabalhar na Itália por um mês, com a devida autorização da DCS.

Rony acabou ficando três meses em Milão e pôde trabalhar com clientes como Vodaphone e Mc Donald´s. Foi também nesse período que ele descobriu as empresas de pesquisa de tendências, que até então desconhecia. “Eu vi que não existia nenhuma empresa de pesquisa de tendências focada para países emergentes; todas ficavam no primeiro mundo”, conta Rony.

Ainda em Milão, Rony teve a oportunidade de conhecer uma empresa chamada Radar, uma das principais empresas de pesquisa de tendências italiana e que teve uma grande presença de mercado nos anos 80. Rodrigues se encantou com o trabalho da Radar e procurou aprender o máximo possível, para que pudesse aplicar no Brasil assim que voltasse.

Rony iniciou aplicando alguns conceitos da Radar com o cliente Olympikus, que ficou extremamente satisfeito com os resultados e abriu uma oportunidade para que Rony criasse sua própria empresa. Após uma conversa com Antônio D´Alessandro, ficou acertado que Rodrigues trabalharia parte do seu dia na DCS e parte na sua própria empresa.

Jovens em uma festaRony ficou conhecido pelo fato de saber lidar com os jovens na área de pesquisa. Ele conta que percebeu que quando um jovem entrava em um grupo focal, em uma sala de espelhos, o comportamento apresentado não era verdadeiro e isso distorcia o resultado das pesquisas e não trazia a essência desse consumidor. Pelo fato de também ser jovem, Rony chegou à conclusão que, quanto mais jovem for o pesquisador e mais próximo da idade dos consumidores ele estiver, melhores serão os resultados. Entretanto, Rodrigues enfatiza que não basta apenas ser jovem, o pesquisador deve possuir uma boa capacidade de analise.

Com a história de Rony podemos perceber claramente que ele compõe a Geração Y, não apenas pelo fato de sua data de nascimento ser 1979, mas por apresentar algumas das características citadas por Quinello (2007), como individualismo e desapego. Rony construiu sua carreira em cima de seu próprio esforço e vontade de vencer, mas também soube se desapegar do seu país para vivenciar experiências internacionais.

Não fosse o advento da Internet, o italiano que convidou Rony para Milão não teria visto o seu trabalho e, provavelmente, sua carreira seria diferente. Rony também teve a visão de apostar no No Media que, segundo Cappo (2004), representa uma nova era dentro da propaganda, onde os profissionais deixam de se preocupar com o meio e passam a focar na mensagem, exercendo todo seu potencial criativo.

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Reader's Comments

  1. Malpa | June 24th, 2009 at 5:56 pm

    Maurício acredito que a geração que você citaste está errada:

    “Com a história de Rony podemos perceber claramente que ele compõe a Geração Y, não apenas pelo fato de sua data de nascimento ser 1979, mas por apresentar algumas das características citadas por Quinello (2007), como individualismo e desapego.”

    1979 é a geração X, Y é apartir de 82, 85, depende do autor.

  2. Maurício Bastos | June 25th, 2009 at 11:42 am

    Não está errado, apenas vai depender do posicionamento de cada autor. Tanto é que dentro do meu trabalho menciono que, para os demógrafos, a Geração X não existe. Eles a chamam de Baby Bust.

    Na Wikipédia: A Geração Y, também referida como Geração millennials ou Geração da Internet é um conceito em Sociologia que se refere, segundo alguns autores, à coorte dos nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 em diante.

  3. Alvaro | June 29th, 2009 at 9:32 am

    Bacana o post, a história de Rony é singular e fascinante, ao mesmo tempo que é só mais uma a comprovar que os caminhos com mais curvas tendem a levar mais longe.

  4. Cláudia Ioschpe | August 3rd, 2009 at 2:05 am

    O Rony? Nasceu com uma dose XXXXX-Large de talento!

  5. Diego Alves | December 7th, 2009 at 4:12 pm

    Ei Maurício eu li sua monografia( http://digi.to/4quGV )e achei ela maravilhosa. Parabééns! E sobre St. Lukes, o que é ela cara, uma agência bem ousada heim !
    E sobre o Rony, nem preciso falar não é?! Esse tópico sobre a história dele já diz muito. Espero um dia conhecê-lo pessoalmente para fazer alguns trocadilhos.
    Muito bom seu tópico, ótiMO!

  6. veget | December 8th, 2009 at 1:50 pm

    Muito legal ouvir teu feedback, Diego! Fico contente que tu tenhas gostado do meu trabalho, pois ele está impregnado de crenças e apostas que tenho para o futuro.

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